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JILAVA

Por traz desses muros começou o martírio de Netinho, Celestino José Rodrigues Neto, aluno do Colégio Militar do Rio de Janeiro, no dia 11 de maio de 1990.

Um capitão chamado Costa Vaz, desumano como os seus colegas do DOI-CODI, do quartel vizinho da Polícia do Exército, que pouco tempo antes torturavam incontável número de brasileiros, muitos citados na página oficial do Grupo Tortura Nunca Mais, foi encarregado ou encarregou-se de ministrar uma punição pública a um dos seus alunos, que supostamente havia colado na prova. Para tornar mais bestial a punição, chamou a mãe do garoto, uma mulher de um sargento que devia achar o capitãozinho um deus e o colégio um paraíso.

Aí, montado o circo, com formatura e tudo, humilhou o menino o quanto pode. Que diabo! Afinal, não era um aluno novo; já estava na oitava série. Já deveria ser conhecido do colégio. Deveriam ter por ele alguma consideração. Mas, nada adiantou; ora, se há bem pouco tempo os outros milicos colocavam as pessoas no pau-de-arara, porque ele também não poderia torturar o garoto, ao menos, mentalmente?

E, assim, aconteceu, e dali o menino foi para casa, em Marechal Hermes, subúrbio do Rio, arrasado, sem nem poder contar com a solidariedade e carinho dos pais, que não souberam distinguir uma baboseira de quartel do eterno dever de respeito à dignidade humana, já que consideração pelo filho, segundo a carta por este deixada, não souberam demonstrar.

Como resultado, a inestimável perda de um brasileiro, que pelos bons sentimentos demonstrados, jamais teria a coragem de praticar as indignidades que os militares fizeram durante os 25 anos de ditadura.

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