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O fato tão lamentável quanto revoltante que resultou no martírio do jovem Celestino José Rodrigues Neto, ex-aluno do Colégio Militar do Rio de Janeiro, também foi publicado pelo jornal "O GLOBO", conforme palavras de Agostinho Vieira, jornalista, chefe da editoria Rio do jornal:

"No dia 17 de maio de 1990, O Globo publicou, em detalhes, a história de Celestino José Rodrigues Neto, o Netinho, de 14 anos, que se matou com o revólver calibre 38 do pai, sargento da Aeronáutica.

Dias antes, ele fora surpreendido colando de um livro de Geografia durante uma prova no Colégio Militar, onde cursava a oitava série do Ensino Básico (na verdade não estava colando).

Tirara zero e havia sido punido publicamente – com seis dias de suspensão e a perda de seis pontos no quesito comportamento – durante a formatura semanal de sua turma.

Achou que submetera sua mãe a uma grande humilhação e entrou em depressão. Matou-se com um tiro na cabeça, deixou uma carta-testamento e virou notícia, cujo texto foi assinado pelo repórter Múcio Bezerra.

Reproduzida integralmente pelo jornal, a sua carta de despedida, endereçada à mãe, Magda Rego Rodrigues, guarda notáveis semelhanças com a de Henri Fertet, no tom contido e no conteúdo prático.

Netinho pede desculpas à mãe, por ter sido o responsável pela humilhação, exime o colega Clóvis de culpa no episódio, atribui o problema a dois outros alunos e destina os seus pertences aos parentes e aos amigos".

"(...) O skate e o quadro para o meu melhor amigo, Marcos Gadelha de Lima (Bolão). A bicicleta, a prancheta e os álbuns para o meu segundo melhor amigo, Marcelo Gomes de Lima (Bolinha) (...)", escreveu o garoto, por exemplo.

Depois, agradeceu à mãe: "Obrigado pela vida que você me proporcionou até hoje". (e que nada ajudou nessa hora dificílima para ele).

Houve dúvida sobre a publicação da notícia do suicídio de Netinho? Vieira acredita que não, justamente pelo interesse coletivo: O caso do menino que deixou a bola de herança para um amigo era uma história emocionante e foi muito bem contada pelo Múcio.

Envolvia o Colégio Militar e o rigor das cobranças do colégio e dos pais (ou a troca do respeito à dignidade humana por fúteis e discutíveis valores da caserna). Ou seja, um drama envolvendo muita gente (inclusive o cidadão contribuinte que com os seus impostos mantem tudo isso)."

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